sábado, 12 de janeiro de 2013

o retorno da pergunta


a voz máscula [vez por outra] fala do feminino como se viajasse para além dos envelopes corporais. o corpo de cada homem se cala sobre si mesmo. voz e pensamento nem sempre correm na mesma passada. há respostas que vêm antes do nascimento da pergunta. outras dúvidas renitentes permanecem sem conclusão.

em volta de uma mesa duas pessoas entabulam uma prosa. a poesia pode estar na fala que porta vontade de beleza. o tema é intrincado e a voz voa baixo [raramente se eleva]. nomes desfilam e ninguém se engane com isso: esculturas de osso, carne e sentimento são tocadas com cuidado extremo.

descobre-se tão tarde que não se é mais criança. e o que se é agora, camarada, parceiro dos lampejos sensatos? da casa para a rua, como se faz um homem [e em quanto tempo]? quantos irmãos se encontram na família desejada?

até os camaleões se parecem entre si em sua metamorfose. peixes voam, pássaros nadam. a criatura imagina inquirir o criador. o edifício masculino passa por uma reconstrução. projeto interativo com a necessária interferência do feminino [mesmo quando os atores imaginam expulsar a mulher do paraíso].

o repertório dos desejos se amplia para alguns homens. vida não se resume a uma palavra. há tantas maneiras de ser homem entre as mulheres e entre os próprios homens.

num tempo em que tudo parece visível, pouco se sabe sobre os movimentos dos corpos. certas perguntas somente a corporeidade responde.

São Paulo, SP, 2001.

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