quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

quase fixo

o poema diante dos olhos
quase fixo

leitura, escuta, escrita
o poema quase fixo

certa palavra acontece ali
podia ser aqui
bem aqui
bem

no entre-tempo
no entre-lugar
onde não há
não havia

quase fixo

parecia o mar, a margem
as palavras proferidas e as imaginadas
entre lá e cá

eram duras, não eram metal ou pedra
era a plataforma
onde se cai
de onde se salta

diante dos olhos e por trás
âmago
bem aqui

nem letra ou fonema ainda
só o mar quase fixo
rascunho secular
no rosto, no dorso, nos pés

a dor diante dos olhos
quase fixa
algo sublime além dos campos extensos
sucumbidores

cana que se torna açúcar e doce
café torrado na folha de flandres que se torna café e moído à mão se torna café
algodão que se torna fio e roupa

indumentária da alma que escreve e dança
nada mais fixo
tudo se torna
entorna

o poema se move
se planta

Goiânia, Goiás, Brasil, 2012.

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