sábado, 2 de fevereiro de 2013

em gotas salgadas


o sal dessas águas está longe
o mundo aquático, marítimo é uma ficção diária
sabem que há casas móveis, sabem dos efeitos da origem
provam a falta

provam do sal, da água, do mito
se banham, mergulham, se perdem
a mão se liga à pessoa pelo fio que somente ela vê e segura
como se fosse o primeiro cordão

salgada
fica a parte abaixo das pálpebras
a pele amada
e uma palavra composta que abriga esta sinuosidade
[como agridoce
diz o que é
e pronto]

suas águas, sal
tempero de uma longa história que se atrevem a contar
na hora em que dois mundos se encaixam

o longe, todo rio, aquífero, doce
o perto
peixe esvaziado pela boca e devolvido a ela
o perfume daquele banho, mergulho, perda
achado

gotas de sal como se pudesse haver música
rumor de ondas
som de conchas
extensão do silêncio na epiderme

o fio é forte