quinta-feira, 21 de março de 2013

passagem/mensagem

[passagem]

uma brutal ausência nas altas cortes
nos leva a outras paisagens

não é o Valongo em seu ápice
não é o mercado do Barés na ilha de São Luís

há uma exposição sarcástica das gentes
uma cópia mal feita, estampada

vimos na passarela de moda
no programa de entretenimento
no pátio de uma universidade

a palidez do fantasma vem acompanhada de asco
o olhar do mercador de escravas
e o silêncio do consentimento

[imagem]

estamos bem aqui para falar de tudo isso
no quadrado das mesas, janelas, telas, páginas
ao som acústico ou eletrônico de músicas antigas

na casa: espelhos de mão, vasos com água e alguidares de comida farta
na forja: adagas, espadas e machados de dupla face
na alma: desenhos e palavras

ao primeiro toque, fazemos aquele movimento

[mensagem]

Um comentário:

  1. Como disse Manuel de Barros, não me lembro literalmente, mas é algo assim:
    Poesia não é pra se explicar
    É pra se sentir
    Fiquei arrepiada!

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