sábado, 13 de abril de 2013

invólucro


invólucro. espaço palco. caixa de ressonância de um silêncio absurdo. envelope aberto, rasgado. pele abandonada. crisálida de meninas, de meninos. matéria orgânica naturalizada. partícula que foi corpo, arquitetura, cidade. 

um teatro fechado. quadrado de alvenaria, madeira, ferro e outras coisas envelhecidas. rastro da companhia, da peça encenada, da casa lotada. 

outro lugar. invólucro da estrutura corpórea vã. pletora de marcas da classe, do gênero, da raça. doce e amargo gueto. cidade-armário onde uma figura não é somente masculina ou feminina. plataforma de humanos aliados ao maquinário, enxertos, próteses. traço e traçado de seres. uns prontos, outros incompletos como indica o mapa. 

não há mercado de peles, nem a primeira, nem a segunda. no teatro: paredes inexistentes. luz por baixo, pelos lados e obviamente por cima. pele-figurino. negritude andrógina. cara pálida e máscula. feminismo-mulher na pele-panfleto metálica e dourada. 

o voo visto por dentro da casca, da máscara, da árvore. o texto arrancado da experiência. até da mais sutil, da mais suave. 


[Para Sidney Santiago (São Paulo) e Paulo Jorge Vieira (Lisboa)]

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