segunda-feira, 3 de junho de 2013

mãe outra

por fora a mãe é recriada por filhas-filhos. mesmo quando não se veio de dentro. mesmo quando a mãe é o mundo, a cidade, a rua. quando filha-filho vem de um reconhecimento, um cultivo, há metamorfoses em exercício: o dentro, o fora, é dentro ainda. um dentro extenso. segredos são necessários. conflitos são totalmente precisos. depois do primeiro corte, cada laço tem que ser um pacto.

mãe não é apenas feminino. não é deusa, rainha ou santa. não é o contrário de pai, assim como avó não é uma grande-mãe. mãe pode ser inventada em forma de dor, autoridade ou prazer. mãe pode ser adotada. 

mães podem não saber nada sobre tempo, vida e maternidade. mães podem viver sem culpa após um aborto ou sete partos. mãe pode ser muitas mulheres. mãe pode parir a diferença. gerar gays, lésbicas, pessoas trans e drag queens. mãe pode recusar essa identidade.

mãe: arquétipo. mãe: estereótipo. outra mãe: possibilidade


[São Paulo, 1997. Rescrito em 2013]

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