domingo, 10 de novembro de 2013

a parte

cada parte é ínfima
cada parte é um clichê da carne

o rastro de eros em cada parte
nos ombros
entre os dedos
no lóbulo da orelha
nos pelos, nas palmas
estica a pele como se fosse um teste

eu aplico, eu passo

ainda assim
os ossos e o espírito não cabem nos tecidos
o rastro é extenso

cada parte fica exposta
no clichê da meia luz
para cada uma, para os dois
em cada parte cabe o detalhe de uma cena

eu expiro, quase durmo

sem nenhum fonema
eu digo, eu tento
não é clichê, não é drama

é minha parte
parte minha esticada
sob a mesma luz
que lhe suspende e lhe arrasta

à parte do mundo
que aplica o olho enviesado
sobre o rastro

eu inspiro, eu paro
quase paro, eu digo