sábado, 25 de abril de 2015

a diferença faz diferença: as étnico-raciais na pós-graduação da UFG

"um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar" - Chico Science


demos alguns passos. demos vários. daremos outros. o olhar sankofeado está atento.

1.  a aprovação das cotas étnico-raciais na pós-graduação da UFG foi um esforço coletivo de muitos anos (Projeto Passagem do Meio, Coletivo de Estudantes Negras e Negros Beatriz Nascimento, NEAAD, Programa Conexões de Saberes, V Congresso Brasileiro de Pesquisadores/as Negros/as, etc.) e, sobretudo,  uma conjunção contemporânea de vários núcleos e coletivos de pesquisa e ativismo de distintas áreas do conhecimento.

2. um filme passa nesta hora em que lembro a reprovação ou evasão na USP (e noutras universidades) de várixs colegas negrxs e indígenas pelo racismo institucional explicitado em muitas barreiras e personalizado em figuras elitistas. lembro as perguntas insidiosas sobre nossos temas de pesquisa e publicações e sobre nossos corpos. me preocupo, portanto, com a preparação de candidatxs. a ciência é hegemonicamente branca. o que queremos: reconhecimento de outros saberes? outras epistemologias?

3. são cotas para  negrxs e indígenas. a expressão "pretos, pardos e indígenas" diz respeito á classificação do IBGE. nossas identificações se relacionam com o Estado, sim, mas as transcendem. São políticas, são múltiplas, são dinâmicas.

que as paginas negras e indígenas de mais dissertações e teses, artigos e livros, saltem aos nossos olhos. que a diferença faça diferença. aquele abraço a quem veio antes e quem veio junto. 

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