quinta-feira, 23 de julho de 2015

céus clandestinos

há céus clandestinos sobre a gente rebelada.
entre dez pessoas ausentes, há sete que são nossas. estão marcadas pela juventude e pelo vermelho escuro. vez por outra, uma delas é assinalada com o vermelho escuro e o rosa.
estão onde os indícios da lei trazem uma promessa inacabada. estavam e estão onde passa uma sirene insidiosa.
vivem nos lugares em que certa geografia diz que são opacos e resistentes.

há céus clandestinos sobre a gente rebelada.
há muita música e pouco devaneio nas ruas, becos e vielas traçadas mais por mãos que máquinas.
faltam várias pessoas na pista de funk ou reggae, nos salões de pagode ou tecnobrega. vez por outra a dor aparece em letras de rap ou samba.
trilha de quem está só e segue. traça o rumo. o aprumo. bebe o sumo. o líquido da vitalidade.

há céus clandestinos sobre a gente rebelada. sobre os porões dos navios, as construções precárias, os locais de suplício, sejam cubículos ou praças.
há quatro décadas o movimento existe. lista os nomes. grava histórias. marcha.
as peles e as páginas apontam mais tempo. tempo é o que falta pra quem tem entre quinze e trinta anos.
não existe fineza quando se olha as fichas de quem morre e quem mata. um mapa mostra o vazio da gente marcada. há uma reportagem sem seqüência. um relatório arquivado. 

há céus clandestinos sobre a gente rebelada. 

o cortejo de quem está por sua própria conta é regado a silêncio, canto e fala. 

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