quinta-feira, 9 de julho de 2015

#somostodxsquemmesmo?

#somostodxsquemmesmo?

Somos todxs quem mesmo? Somos todxs Cleydison?

Cleydison Pereira da Silva é o nome do jovem negro, suposto assaltante, despido, amarrado e linchado até a morte no bairro de São Cristóvão em São Luís do Maranhão, cuja imagem do suplício tem sido excessivamente repetida.

No ensaio "Meu negro interno" de Beatriz Nascimento, escrito em 1974, a autora traz um personagem que nasce de uma conversa com um terapeuta. Seu "negro interno" é um corpo negro pensante que circula pelas ruas do Rio e se exaspera em situações de racismo. Ela arremata o texto, ao mesmo tempo analítico e literário, expondo a solidão do personagem: "Conhecê-lo é estar só, como era no canavial, como no tronco, como agora".

Podemos nos aproximar de cada pessoa negra aviltada, na verdade, destruída, pelo racismo e por outras opressões. A solidão da situação pode e deve ser contraposta por afeto e solidariedade. Mas há um instante em que a dor é somente da vítima. No feminicídio, na execução racial e também homo-lesbo-transfóbica, há um abandono inatingível. Como superar a distância com aquela pessoa antes dela ser despersonalizada?

A desumanização atinge o corpo e os lugares tratados como inferiores. Seu extremo, sabemos qual é. Mais uma vez, reverbero a voz de Beatriz: "Conhecê-lo é estar só, como era no canavial, como no tronco, como agora".

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