terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

in/tento

jamais joguei futebol a contento pra saber o que é "bater na trave". sei o gosto meu e imagino o teu: ao tentar e quase conseguir. ao chegar lá. sei do revés e do viés. dos obstáculos.
do poeta emparedado, ingeri um poema. por ele, esmurrei o muro e carrego a cicatriz, ainda que não precise de prova. diante do poema censurado, rascunhei o número de perdas e o nome fardado e corporificado. a parede é o outdoor sem a inscrição da poeta.
falo em primeira pessoa e o que sou diante de quem veio debaixo, veio antes e nem chegou a esse esboço de estrada? herdeiro da indagação, sei que tenho direito à uma bagagem leve diante de um peso nas costas como legado. primeira pessoa, que nada!
na pequena refeição - uma das poucas feitas à mão com as coisas do quintal de casa - vejo o rastro do riso pela fotografia. cena pretérita que encenarei na imitação da volta. exilado e retornado trasfiguro mapas e outras coisas manufaturadas.
das obras reproduzidas, trago em mãos alguns livros do escritor banido para além das fronteiras brancas e másculas. insisto na metáfora e escuto mapas cantados. rumor de marés e autoctonias em movimento. chamadas de nômades e errantes, antes de usurparem a terra.
a proibição da língua primeira é seguida da dormência dos lábios. soçobra a voz em off, backing vocal das canções de trabalho. no terreno mais próximo se faz um jogo simples, se contam fichas de jukebox e na irmandade da cicatriz toma-se uma bebida fermentada ou destilada em artesania.
o indício é o que resta: na areia, na parede, no outdoor, no livro, na tela da máquina.

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