domingo, 20 de março de 2016

golpe: de quem? contra quem? de que lado?

em tempo de internet há um confronto muito rápido de informações, imagens, falas, montagens. por mais que tenhamos vivido e/ou lido, somos muito parciais em face dos limites da experiência e das leituras de uma ciência bastante segmentada em caixas de saber.

a chamada esquerda, ancorada em autores euro-andro-heterocentrados raramente racializou suas teses e tratou como minoritária as questões de gênero e sexualidade. por essas e outras muitxs de nós rompemos com suas organizações. há lados da questão que envolvem dimensões de classe, raça, gênero, sxeualidade e posição política que poucxs se arriscam a colocar em pauta.

no entanto, até mesmo institutos de pesquisa cujos dados sobre as manifestações de rua desconfiamos, indicam que os atos dxs supostxs defensores da corrupção e de apoiadorxs do impedimento da presidenta são, em sua grande maioria, brancxs e de elite. sabemos de uma geografia do protestos, dos canhestros panelaços. o que quer dizer isso? quais suas implicações.

haja escuta – legítima – e haja leitura todos os dias para entender os vários lados dos golpes e de golpistas. há uma intenção de um conluio entre juízes/advogados, parlamentares e empresários do jornalismo para derrubar a presidenta. este é um lado, uma face, um dos prováveis golpes. o outro é que a os grupos verdeamarelistas sem maiores lideranças podem crescem com apoio de parte desse conluio e sabemos da tribuna do ódio que elxs abriram: contra negrxs, pobres, feministas, religiões de matriz africana.  pode haver um golpe maior contra o frágil estado de direito que conquistamos.

há quem diga de vez em quando que “temos que ir às ruas”. as ruas da internet são virtuais. são infovias.  as falas sensatas estão nas ruas e nas infovias. por mais que se polarizem, não há apenas dois lados, duas posições. nas manifestações em que o vermelho predominou não estavam somente aos grupos que se auto-afirmam de esquerda. estavam pessoas e grupos indígenas, negros e feministas que próprios governos esquerdistas atendem apenas algumas demandas e traem as outras ao se aliar a antigos donos do poder. a infovias e as ruas estão repletas dessas contradições.

há quem não foi a nenhuma manifestação nem à outra porque sabe, como sabemos, que não é a efetiva alteração emancipadora da ordem política que está em jogo. sabemos – gente negra, indígenas, mulheres, feministas, lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros, pessoas que não se encaixam nas identidades de gênero e sexualidade, migrantes pobres – que no estado de direito que aí está, apenas rascunhado, não temos garantia de existência. as agressões às mobilizações de estudantes e docentes, a não demarcação de terras indígenas e quilombolas, a morte de mulheres, jovens negrxs e pessoas lgbt, com suporte do braço armado de governos “esquerdistas”, está aí para que não esqueçamos.


haja escuta e leitura. haja manifestação nas ruas e nas infovias. de que lado/s estamos? de onde vem o golpe? contra quem?

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